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Música
acuática no. 12
andamento largo
ao
fundo uma matraca se mantém até o último verso
:
:
:
:
o
poema elétrico ao corpo elétrico [esta eletroflorese]
:
:
:
T_____
:
:
ser uma antena de TV
nas lajes
entre
exaustores
:
roupas acenam a desculpa do pregador
rabiolas
reclamando a quietude da pipa
!
calhas
:
medulas d
água
:
:
:
:
:
:
carne
bovina desidratada cominho tomilho urucum ácido fólico malta dextrina
glutamato a metafísica dos descartáveis — chorume verde como a pele de
ágata das massas marinhas — o homem [criatura frágil dentro de grandes
estruturas] atravessado por lâminas móveis da fuselagem de um trem [os
homens se esbarram todas as noites no remendo dos sonhos] São Paulo
placa de circuito que aflora eletrosférica pulsante e a massa de prédios
um código fluorescente alternando fases
e
archimétrica [poliedro
de cimento
o
planalto-mar de
Brasília
—————————]
[coro]:[a
cabeça é levemente levada para trás cuando o maxilar mastiga e fala a
sopa de carne semipronta com macarrão e legumes uma intumescência de
vidraças varejeiras ante o convexo da colher a cabeça riscada no gás
lavrada nos entroncamentos da noite [cenário noir: com pessoas abrindo e
fechando guarda-chuvas] e o tempo que resta dela sentada ao piano e
fumando o tempo com suas mãos de bauxita negra o tempo de todas as
mulheres belas e de tailleur enrabadas pela cidade que cuando chegam em
casa se envergonham de seu orgulho e cuando finalmente amam já é tarde
demais o tempo das pessoas que levam choque por existir [são essas que
um dia falam “é agora” e entram em combustão espontânea] das pessoas que
cuando olham o relógio é sempre um número repetido o tempo escrito numa
tatuagem no avesso da pele entre rachaduras intradérmicas o tempo do
cristão que acha que o diabo espreita o tempo com suas idéias desossadas
e condensado no vértice das fábricas na medula dos encanamentos [a mais
insondável distância acolhida no verbo terra [fuselagem a carne
de seu nome]] viver é respirar um pouco mais ao lado uma trachéia lunar
na garganta lugares com visto para outros lugares [amar um outro é
reinventar o seu tempo dele]]
o flanco das dragas confere dragões
chaminés
disputando nuvens com o céu
[um prédio só deixa de existir em
:
:
:]
[ser vasto
cuando falta espaço —
:calado
por não sabê-lo certo
o silêncio
nunca
ninghém pensou o futuro das ruas
] toda cidade no alicerce de seu acaso
num mundo
de coisas oblongas
enviesadas
:palavras
cuasecoisas
livro a não escrever nem dizer [no vão]
e as
torres da Light
dulcimer
de força num horizonte âmbar-nácar
calombos não migram de corpo
[cada um é seu próprio
topônimo]
nascer num lugar
é fundá-lo
Philippa
ao ser engolida pelo peixe [um peixe ácido imenso
e no
estômago
achecida
de universo só seu
concha
acústica a boca da baleia
as dobras herbáceas no glauco das
ondas
]
e o Mar da Trancuilidade
lua vitrificada de Andrômeda
mha
senhor de que morredes?
o corpo d
alva-dona nas barbatanas do castelo
o tule
ouro-roxo
os estandartes
o
seio-olho de carne espiando através
ela que
não foi pensada antes de Filippo
ela que
deixou de acreditar
o cinema
foi criado para simular a morte
a memória inventada na cartilagem de
nós
ela que matéria bruta
esmagada por edifícios
ela que]
Philippa medíocre
entre os dentes do peixe
estraçalhada seu corpo de inglesa
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