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Poesia

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Joia

 

 

abrir

o

mineral

tão

claro

dos

rostos

a

fractal

fruta

exata

em

ângulos

sonhados

pedra

tão

vértebra

quanto

água

nos

vértices

por

flor

adentro

corte

de

espelhos

decepando

tanto 

quanto

joia

dado

assente 

sorte

alguma

tão

sua

que

ao

esmalte

faz-se

outra

avessa

falha

desfolha

gume

florindo

única

face

 

 

Nota: algo inspirado nos quadrados mágicos da idade média, este soneto-poliedro tenta reproduzir, através de quatorze imagens (distribuídas em 7+7 versos entrecruzados), a forma prismática de uma jóia lapidada, sobretudo no que se refere ao feitio não unívoco de sua visão geral, tal como acontece com as pedras preciosas que mudam seu aspecto conforme o ângulo em que se a observa. Seus versos podem ser lidos da esquerda para a direita e de cima para baixo, sem ordem fixa. Pode-se pular os versos ou intercambiá-los, alterando a ordem do poema e mesmo encontrando outras possíveis leituras internas e fragmentárias. A partir disso, quis criar um paralelo com o lance de dados mallarmaico, uma vez que a joia burilada é também esse dado que "assente sorte alguma". Pois, como a palavra “joia” possui origem na palavra latina “jocus” (jogo), busquei sempre manter o poema no horizonte do lúdico, jogando em seus diversos níveis de concepção.

 

2010 Márcio-André | Design : Confraria do Vento | Crédito das Imagens

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