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Sobre Movimento Perpétuo
Ricardo Pinto
Em márcio-andré
encontro aquela antiga tradição da poesia ocidental, a
dos criadores de mundo. Vilipendiada, impraticável(izável),
abandonada, esta poesia acaba sendo aquela que nos
proporciona o retorno para o conforto de um terreno que
reconhecemos, pois o ponto de partida para a maioria que
se joga às palavras: este não-lugar de coisas e agentes
que se elidem, sua substância insegura e insegura
passagem pelo mundo através das palavras.
Um poundeano convicto, tem consciência plena de que a
poesia é (re)criação. Sua voz chega até mim como a de um
sábio (o velho Pound, o velho chinês, o Jokerman), mas
sábio real: o que ritma a vida para que esta não vitime,
dançando com as palavras, invocando/evocando estas
forças divinas ou humanas.
O "movimento perpétuo" de márcio-andré é um primeiro
livro que faz a aposta generosa na imaginação humana,
ainda mais em tempos como os nossos, de penúria e
cansaço. Tudo isto torna "movimento perpétuo" mais que
primeiro livro, livro primevo: durante o movimento, o
início de todo movimento, os deuses acorrentados na
imaginação.
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