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Sobre Movimento Perpétuo Ricardo Pinto

 

 

Em márcio-andré encontro aquela antiga tradição da poesia ocidental, a dos criadores de mundo. Vilipendiada, impraticável(izável), abandonada, esta poesia acaba sendo aquela que nos proporciona o retorno para o conforto de um terreno que reconhecemos, pois o ponto de partida para a maioria que se joga às palavras: este não-lugar de coisas e agentes que se elidem, sua substância insegura e insegura passagem pelo mundo através das palavras.

Um poundeano convicto, tem consciência plena de que a poesia é (re)criação. Sua voz chega até mim como a de um sábio (o velho Pound, o velho chinês, o Jokerman), mas sábio real: o que ritma a vida para que esta não vitime, dançando com as palavras, invocando/evocando estas forças divinas ou humanas.

O "movimento perpétuo" de márcio-andré é um primeiro livro que faz a aposta generosa na imaginação humana, ainda mais em tempos como os nossos, de penúria e cansaço. Tudo isto torna "movimento perpétuo" mais que primeiro livro, livro primevo: durante o movimento, o início de todo movimento, os deuses acorrentados na imaginação.



 

2010 Márcio-André | Design : Confraria do Vento | Crédito das Imagens

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